O turismo sustentável pede uma ocupação responsável das margens do rio Paraná
Por Paulo Angeli*

Imaginem a herança que podemos deixar para as futuras gerações: uma cidade exuberante, que nos brinda não apenas com a majestade das Cataratas do Iguaçu e uma série de atrativos, como também é agraciada com a proximidade das serenas margens do rio Paraná.

Este rio, uma das joias naturais da América do Sul, anseia por uma abordagem turística e ocupacional que se pautem pela responsabilidade – um caminho de relevância e urgência frequentemente negligenciado.

O tempo está passando e para colocar a ideia em prática chegou o momento de parar, ao menos por ora, de vislumbrar projetos megalomaníacos de costaneiras imponentes. Que tal começarmos com passos curtos, mas constantes? Uma proposta pontual seria pegar ruas específicas e fazê-las chegarem ao rio e lá montar uma estrutura de visitação, gastronomia, contemplação e interação. Uma ocupação ordenada traria a valorização do espaço, com a criação de um novo produto turístico.

Além de oferecer paisagens deslumbrantes e uma rica biodiversidade, essas margens representam oportunidades para o lazer e o turismo, desde que meticulosamente planejadas e regulamentadas. Trilhas, mirantes e centros de visitantes permitiriam aos turistas apreciarem a beleza do rio sem causar danos significativos ao ecossistema.

Entretanto, quando se menciona ocupação, é crucial enfatizar um enfoque que harmonize conservação ambiental e progresso econômico, evitando a degradação do solo, o desmatamento indiscriminado e a contaminação da água. Por isso, a implementação de práticas agrícolas sustentáveis, a proteção das áreas de floresta e a conscientização sobre o descarte adequado de resíduos são medidas fundamentais. Somente assim se preservará este habitat singular.

A educação e sensibilização dos moradores locais e visitantes assume um papel central nessa empreitada. Programas educacionais ambientais poderiam iluminar as implicações de suas ações sobre o ecossistema, encorajando ações responsáveis. Campanhas de conscientização, da mesma forma, poderiam salientar a premente importância de conservar as fontes hídricas, contribuindo para uma cultura de ocupação responsável.

Investir em turismo sustentável pode gerar vantagens econômicas significativas para a comunidade. O ecoturismo, por exemplo, poderia potencializar empregos e realçar os recursos naturais da região. Iniciativas como trilhas para caminhadas, passeios fluviais e observação da fauna e flora local atrairiam apreciadores da natureza, impulsionando o desenvolvimento econômico local.

A interação entre a população e os turistas pode impulsionar a economia local. Quando os moradores se envolvem na prestação de serviços turísticos, como a hospedagem em suas casas, a venda de produtos artesanais ou a oferta de passeios guiados, ocorre um aumento nas oportunidades de emprego e no fluxo de renda para a comunidade. Além disso, o turismo pode estimular o empreendedorismo local, levando ao surgimento de novos negócios e ao fortalecimento da economia regional.

Em suma, a ocupação responsável deve entrar em pauta. Ao fomentar essa interação, podemos criar uma experiência turística enriquecedora, autêntica e mutuamente benéfica, construindo pontes entre diferentes culturas e contribuindo para um mundo mais harmonioso e conectado.

*Paulo Angeli é presidente do Conselho Municipal de Turismo de Foz do Iguaçu (Comtur) e idealizador do Festival das Cataratas.

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