Economia do Brasil voltará a acelerar em 2012 e PIB crescerá 4,5%, preveem Ernst & Young e Oxford Economics

Relatório trimestral estima também que, após quase estourar a meta de inflação em 2011, índice deve cair no próximo ano para 4,7%

A economia brasileira voltará a acelerar em 2012, com o PIB do país crescendo 4,5%. Já a inflação, após quase estourar a meta em 2011, deve arrefecer no próximo ano, atingindo 4,7%. As projeções constam do novo relatório trimestral Rapid Growth Markets Forecast, elaborado pela Ernst & Young Terco em parceria com a Oxford Economics.

“A turbulência dos últimos três anos fez com que previsões perspicazes e oportunas passassem a ser mais valorizadas”, explica Alexis Karklins-Marchay, co-líder do Centro de Mercados Emergentes da Ernst & Young. “A Ernst & Young está associada a análises econômicas de ponta por mais de duas décadas na zona do euro e no Reino Unido. Com o lançamento do Rapid Growth Markets Forecast, estamos estendendo esse escopo para todo o globo.”

Segundo o relatório, devido ao enfraquecimento econômico dos países desenvolvidos, o PIB brasileiro crescerá apenas 3,8% neste ano – uma forte desaceleração na comparação com o ano passado, quando a economia do País avançou 7,5%. Em 2012, a expectativa é que o crescimento acelere devido à gradual recuperação das economias avançadas que são parceiras comerciais do Brasil e à suavização do impacto das medidas monetárias adotadas recentemente.

Por outro lado, há debates sobre se os recentes cortes na taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central foram prematuros para lidar com as pressões inflacionárias. O estudo da Ernst & Young e da Oxford Economics aponta que a inflação fechará 2011 a 6,4%, quase batendo o teto da meta do governo (4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos), mas cairá para 4,7% no próximo ano.

BRICs

A tendência para os outros países que formam os BRICS – além do Brasil, Rússia, Índia e China – é similar. Na Rússia, as pressões inflacionárias farão com que o índice oficial de preços chegue a 8,7% neste ano – comparado com os 6,9% de 2010. Mas há espaço para otimismo: em 2012, a inflação deve cair para 8% e, no ano seguinte, para 6,1%. O crescimento do PIB, que neste ano deve ficar em 4%, irá acelerar para 4,4% em 2012.

Na Índia, o Banco Central tem dado continuidade ao aperto da política monetária, elevando a taxa de juros. Mesmo assim, a inflação deve fechar 2011 no patamar de 8,5%, recuando em 2012 para 5,8%. O crescimento do PIB indiano também será menos acelerado do que em 2010 – 7,2% em 2011. Entre 2012 e 2015, a economia do país deve manter sua alta taxa de crescimento, variando de 8% a 9,5% (este último em 2013).

Já a expansão da economia chinesa nos últimos meses tem sido movida pela demanda doméstica. Mas o atual cenário econômico global – com a crise de dívida na Europa e a lenta recuperação nos EUA – também afetou o país. Neste ano, o crescimento chinês deve ficar em 8,8% (abaixo dos 10,3% em 2010) e em 8,3% em 2012.

Desafio

O estudo da Ernst & Young e da Oxford Economics afirma que a dinâmica da economia global tem mudado, com um novo grupo de mercados de crescimento rápido desafiando a posição de economias avançadas. A expectativa é a de que esses países emergentes cresçam, juntos, 6,2% neste ano, quase quatro vezes mais do que o crescimento anêmico esperado para a zona do euro. Além dos BRICs, o estudo analisa também Argentina, Chile, Colômbia, República Tcheca, Egito, Gana, Indonésia, Cazaquistão, Coreia do Sul, Malásia, México, Nigéria, Polônia, Catar, Arábia Saudita, África do Sul, Tailândia, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Ucrânia e Vietnã.

Esse grupo de países cresceu uma média de 5,8% por ano na última década, mais de três vezes mais rápido do que as economias avançadas combinadas. Esse ritmo rápido de expansão deve continuar na próxima década, com os mercados de crescimento rápido superando os países desenvolvidos em mais de 3,5% ao ano na próxima década. Isso, claro, presumindo que eles conseguirão lidar com pressões inflacionárias e que terão infraestrutura para garantir um crescimento sustentado de longo prazo.

“Os mercados de crescimento rápido estão se tornando cada vez mais importantes – tanto em termos de importância na economia mundial como em influência global. Enquanto as economias avançadas têm lutado contra crescimentos fracos, esses países estão bem-posicionados para enfrentar a turbulência econômica”, afirma Carlos Mota, sócio-líder do escritório da Ernst & Young Terco em Fortaleza.

Forte crescimento deve continuar

Os países de rápido crescimento se recuperaram fortemente da recessão global, iniciada com a crise de 2008, com seu PIB somado crescendo em média 7,3% em 2010 – retornando às altas taxas que precederam a crise financeira.

Esse sucesso econômico reflete as medidas que muitos desses países tomaram para liberalizar suas economias, visando à abertura comercial. Exportações respondem por cerca de 50% do PIB nos países de rápido crescimento como um todo, comparado com 13% nos EUA e 41% na zona do euro.

E os próximos 10 anos?

Para esses países, há muitas razões para ser otimista com relação aos próximos 10 anos. Apesar de terem alcançado um crescimento significativo nos últimos anos, ainda há espaço considerável para que eles mantenham o ritmo de avanço. Industrialização e urbanização continuadas, somada a um forte crescimento populacional e à ascensão de uma classe média substancial, irão encorajar esse crescimento sustentado.

A melhor gestão econômica e a estabilidade política, assim como altos investimentos, boas taxas de poupança e aversão a dívidas elevadas, elevaram os níveis de investimentos feitos por companhias ocidentais que têm interesse em crescer nesses mercados. O fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) para todos os países de crescimento rápido cresceu de US$ 205 bilhões em 2000 para US$ 44 bilhões em 2010, e eles agora recebem cerca de 50% do fluxo global de IED.

“Alguns países têm tido sucesso em atrair IED para estimular seu desenvolvimento. No entanto, IED não é mais uma rua de mão única – os países de rápido crescimento estão tornando-se eles próprios grandes investidores em economias avançadas, com suas companhias líderes adquirindo competidores”, afirma Carlos Mota.

Um caminho positivo, mas acidentado

“Enquanto a previsão geral para os mercados de crescimento rápido é positiva, uma coisa é certa: seu progresso não será suave. Esses países precisarão lidar com diversos desafios para garantir um crescimento sustentado”, continua o sócio-líder.

Esses desafios incluem evitar pressões inflacionárias surgidas do rápido crescimento; gerenciar o impacto da entrada de capital na competitividade de suas indústrias; e garantir que a infraestrutura – física e humana – seja suficiente para suportar o seu potencial de crescimento no longo prazo.

O impacto da desaceleração global

A previsão de crescimento fraco para as economias avançadas inevitavelmente irá continuar a pesar nos países de crescimento rápido em 2012. A dependência desses mercados no comércio com países desenvolvidos tem caído desde meados da década passada, refletindo tanto o declínio das nações ricas como a força do crescimento da demanda interna nos emergentes, o que gerou um forte comércio inter-regional. Mesmo assim, as exportações para as economias avançadas ainda equivalem a quase 15% do PIB dos países de crescimento rápido. Dentre eles, países da América e da Ásia vivenciaram as maiores desacelerações por conta dessa dependência.

“Os mercados de crescimento rápido não estão imunes aos riscos econômicos globais, mas estão mais bem-posicionados para lidar com eles”, afirma Carlos Mota.

No caso de uma crise de dívida desordenada na zona do euro que leve a uma prolongada recessão na região e a uma estagnação no crescimento dos EUA em 2012 e 2013, a previsão da Ernst & Young e da Oxford Economics aponta que o crescimento do PIB será reduzido para 3,2% entre os mercados de crescimento rápido em 2013.

Entre esses países, os do Leste Europeu podem ser atingidos devido às ligações com seus vizinhos. Porém, exportadores de petróleo e de commodities – como a Rússia, o Brasil e o Chile – também poderão ser severamente impactados se o valor de suas principais exportações for atingido por queda nos preços ou na demanda. Aqueles com focos comerciais e financeiros – como a Coreia do Sul e Cingapura – podem ser afetados. Mas o Rapid Growth Markets Forecast aponta que países como China e Índia devem ser afetados de forma mais modesta, refletindo parcialmente o tamanho de seus mercados domésticos e os efeitos benéficos de preços de commodities mais baixos.

Previsão otimista

O cenário econômico global é muito incerto, com os riscos de uma renovada recessão em economias avançadas e uma crise financeira se espalhando. No entanto, os mercados de crescimento rápido estão cada vez mais desenvolvendo sua própria massa econômica crítica e muitos têm os meios financeiros, se necessário, para apoiar o crescimento e proteger seu setor bancário, assim, ajudando a prevenir um impacto mais significativo.

“Mesmo que uma deterioração maior da situação econômica global não seja boa notícia para os mercados de crescimento rápido, esse cenário pode aumentar ainda mais o peso que eles têm na economia mundial devido ao declínio das economias avançadas”, diz Carlos Mota. “Nosso relatório prevê que tal cenário pode ser um obstáculo temporário no caminho para a prosperidade desses países – desacelerando, no curto prazo, mas não minando os fundamentos que sustentam o crescimento que esperamos para eles na próxima década”, conclui.

Sobre a Ernst & Young e sobre a Ernst & Young Terco:

A Ernst & Young é líder global em serviços de auditoria, impostos, transações corporativas e consultoria. Em todo o mundo, a empresa tem 152 mil colaboradores unidos por valores pautados pela ética e pelo compromisso constante com a qualidade. A empresa faz a diferença ajudando colaboradores, clientes e as comunidades em que atua a atingirem todo seu potencial.

No Brasil, a Ernst & Young Terco é a mais completa empresa de consultoria e auditoria com mais de 4.100 profissionais que dão suporte e atendimento a mais de 3.400 clientes de grande, médio e pequeno portes, sendo que 117 companhias são listadas na CVM (dado referente a dezembro de 2010) e fazem parte da carteira especial da equipe de auditoria.

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