Boa Viagem por Cristina Lira

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Desafios da Globalização

Especialista lança um olhar crítico sobre as etapas que compõem o sistema de aviação civil brasileiro, analisando seus entraves e suas novas demandas
“Sofremos no país com a falta de políticas públicas, planejamento, diretrizes consistentes de regulação e falta de coordenação no setor aéreo. Conhecendo este setor antes mesmo de trabalhar na Anac, nunca imaginei encontrar tamanhas lacunas na condução de um setor de importância estratégica para o país”, afirma Josef Barat. Consultor e economista, Barat, foi diretor de Relações Institucionais da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em 2006. Por conta dessa experiência constatou inúmeros gargalos que, sobretudo em momentos críticos como o apagão aéreo, ocorrido entre 2006 e 2007, demonstram a fragilidade do sistema de aviação civil e dos órgãos de governo responsáveis por suas infraestrutura e regulação.   Esses fatores foram as principais motivações de Barat para escrever Globalização, Logística e Transporte Aéreo, lançamento da Editora Senac São Paulo.
O autor reflete  sobre o grande desafio do governo em dotar o país de estratégias e políticas  para a aviação civil, num horizonte de trinta anos, sobretudo com regras de regulação econômica que permitam a evolução dos mercados internacional, doméstico e regional. Mostra também como melhorar essa situação, criando infraestruturas adequadas para receber mais visitantes em eventos esportivos futuros como a Copa das Confederações, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos – que acontecem respectivamente em 2013, 2014 e 2016. Para o autor, é importante que a logística e o transporte ofereçam meios de suporte à preservação ou ampliação das vantagens competitivas e de agregação de valor às suas próprias cadeias produtivas. 
Destinado a estudantes e profissionais do setor, o livro é fruto de uma pesquisa meticulosa: o especialista reuniu dados sobre a movimentação mundial e brasileira de passageiros e cargas, transporte e logística, dados de movimentação financeira do segmento no país e no mundo, peneirados em órgãos como: a International Civil Aviation Organization(Icao), das Nações Unidas; a International Air Transport Association (Iata); Banco Mundial:Organization for Economic Cooperation and Development (Oecd): Anuários Estatísticos do Transporte Aéreo do Departamento de Aviação Civil (Dac) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac); Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea); Ministério da Defesa (Decea) e Infraero.  
A partir dessas informações e de sua vasta vivência no segmento, Barat é hoje, sócio-diretor da Planam (Planejamento, Assessoria e Monitoração de Projetos Ltda), o autor faz análises pertinentes do impacto da globalização sobre as características da produção de bens e serviços, além de apresentar a importância vital dos portos e aeroportos para a competitividade dessa produção. “No processo de globalização, a logística e o transporte passaram a atuar como fatores essenciais para uma inserção mais plena no comércio mundial, a redução de assimetrias e a adição de valor às cadeias produtivas nacionais. Os sistemas eficientes e empresas nacionais privadas de porte para a logística e o transporte tornaram-se essenciais para garantir,tanto maior espaço para adição de valor nas cadeias produtivas nacionais, quanto para barganhas e negociações entre países e blocosfeitas em bases de maior reciprocidade”, avalia o autor.
As sequelas do apagão
Barat detalha, com profundidade, como se deram as mudanças na demanda do sistema aéreo brasileiro e como os gargalos tornaram-se cada vez mais críticos, gerando um ambiente conturbado –  que acabou por influenciar , inclusive, a apuração de acidentes ocorridos na ocasião, como os das aeronaves da GOL, em 2006, e da TAM, em 2007. Segundo ele, nos últimos quinze anos o tráfego de passageiros domésticos cresceu de forma acelerada e esse crescimento deveu-se à conjugação de diversos fatores, tais como: a estabilidade monetária conquistada após o Plano Real e as facilidades de crédito decorrentes; o declínio das tarifas aéreas; a ascensão social e inclusão de novos contingentes de consumidores e a operação mais eficiente das empresas aéreas. “Para acompanhar a dinâmica de mercado, as empresas investiram na compra de equipamentos, ampliando consideravelmente as suas frotas. O crescimento acelerado da demanda esbarrou, todavia, em limitações estruturais de capacidade nas infraestruturas aeroportuária e aeronáutica”, demonstra.
Ao debater sobre o assunto, o autor revela os principais entraves do setor. Barat explica que os aeroportos mais importantes do país não tiveram ampliações significativas em suas instalações, sendo que muitos operam atualmente no limite das suas capacidades. “Se, de um lado, a disponibilidade financeira da Infraero foi insuficiente para fazer frente à multiplicidade de obras que deveriam atender ao crescimento da demanda, de outro, o mais grave é a empresa ter sido alvo de fortes pressões político-partidárias na definição das suas prioridades para investimentos. O resultado foi a excessiva dispersão de recursos,sem o investimento suficiente em aeroportos críticos”, completa. 
Sobre o autor
                           
  Josef Barat é economista, doutor e livre-docente pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Presidente do Conselho de Desenvolvimento das Cidades da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio), consultor de entidades e empresas políticas e privadas, membro titular do Conselho de Economia, Sociologia e Política da Fecomercio-SP. È sócio-diretor da Planam (Planejamento, Assessoria e Monitoração de Projetos Ltda). Coordenou o Setor de Transportes do Ipea e integrou a Comissão do Transporte Aéreo Civil (Cotac). Foi também Diretor de Relações Internacionais da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Serviço:
Globalização, Logística e Transporte Aéreo
Autor: Josef Barat
Editora: Senac São Paulo
Preço: R$ 49,90
Número de Páginas: 268
Lançamento: 23/7, 2ª
Horário: 19 horas
Local: Livraria  Cultura – Conjunto Nacional. Av Paulista, 2073
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