PRIMEIRA SEMANA DA COPA DO MUNDO NO BRASIL DEVE REGISTRAR 300 MIL PASSAGEIROS NOS AEROPORTOS BRASILEIROS

Primeira semana de Copa do Mundo deve registrar 300 mil passageiros nos aeroportos brasileiros
Palestra da Abracorp abordou o legado que os megaeventos deixam para os destinos nos quais são realizados e apresentou pesquisa da Deloitte

A Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), em parceria com a Associação Brasileira de Gestores de Viagens Corporativas (ABGev), realizou duas palestras na manhã desta quinta-feira (20), durante o 39º Congresso Brasileiro de Agências de Viagens, com os temas “Copa do Mundo 2014 e Olimpíada 2016 – o papel do segmento de viagens corporativas” e “Desvendando os mitos de tecnologia em gestão em viagens”.

Na primeira delas, John Auton, sócio-líder de Atendimento à Empresas do Setor de Turismo, Hospitalidade, Lazer e Esportes da Deloitte, apresentou dados que megaeventos esportivos deixam às cidades-sede. No caso de uma Olimpíada, por exemplo, participam cerca de 15 mil atletas, 25 mil jornalistas, 6 mil pessoas no staff do comitê organizador, 8 mil credenciados para a movimentação de tochas e 100 mil voluntários, além de 800 mil espectadores.

Segundo a pesquisa “Brasil, bola da vez. Negócios e investimentos a caminho dos megaeventos esportivos”, realizada pela Deloitte em parceria com o Instituto Brasileiro de Relações com Investidores no ano passado (Clique Aqui para fazer download do estudo na íntegra), os principais benefícios identificados com eventos desse porte são efetivação de projetos de infraestrutura e logística (mencionado por 91% dos participantes), ampla divulgação do país no exterior (84%), maior fluxo de turistas (82%), ativação de investimentos estrangeiros (76%) e geração de empregos diretos e indiretos (65%).

Já as atividades econômicas consideradas com maior potencial para receber investimentos em razão dos megaeventos são a indústria de construção (65%), turismo, hotelaria e lazer (55%), transporte aéreo e infraestrutura aeroportuária (53%), infraestrutura urbana (26%).

“Trabalhando há 15 anos no segmento de turismo, posso afirmar que há um amplo mercado ainda a ser explorado e profissionalizado”, afirma Auton. “A Abracorp está aberta a cooperar no que for possível para que o mercado se torne cada vez mais forte. Quanto mais forte eles se tornar, melhor para os nossos associados e para o turismo de uma maneira geral”, afirma Francisco Leme, presidente do Conselho de Administração da entidade.

Bons exemplos sobre o legado deixado pelos megaeventos não faltam. É o caso dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2010 em Vancouver, que receberam 500 mil turistas e contaram com o compromisso de investimento inicial de US$ 34 milhões pelo governo. Na Copa de 2010 da África do Sul, houve aplicação de R$ 2,8 bilhões em transporte e infraestrutura, com reformas de estradas, construção do aeroporto internacional em Durban e novos terminais em Joanesburgo e na Cidade do Cabo. Pensando nos Jogos Olímpicos de Verão de 2008, a preocupação foi com a sustentabilidade – houve plantio de 8,8 mil hectares de espaços verdes.

Klaus Kuhnast, diretor de Vendas da Tam, comentou que para as companhias aéreas o cenário é preocupante. “Teremos concentração de jogos em alguns dias da semana, mas e nos outros? O mercado corporativo deve diminuir em muito suas viagens durante a Copa e os Jogos Olímpicos”, comenta, acrescentando que haverá mudança na malha aérea e vôos em horários alternativos para o período da Copa. “Durante a competição devemos receber 2,5 milhões de passageiros a mais que atualmente, quantidade 50% maior que a demanda atual e a que estimamos para 2020. Apenas na primeira semana devem desembarcar no país 300 mil pessoas, o dobro das 150 mil rotineiras. E na próxima década o tráfego internacional continuará crescendo cerca de 9% ao ano, no mínimo”, completa, acrescentando que um benefício será a realização de reformas e implementação de melhorias.

Outra preocupação que fica no ar é como oferecer uma tarifa competitiva durante o evento sem ter prejuízo, levando em conta que com a diminuição da demanda corporativa muitos vôos partirão com poucos passageiros.

Antonio Azevedo, diretor do Instituto de Capacitação da Abav (Iccabav), contou que está sendo realizado um trabalho de benchmark para facilitar e agilizar a atuação brasileira. Levando em conta a Copa do Mundo da Alemanha, foram registradas 2,4 milhões de pessoas (público geral), que gastaram cerca de 400 euros por dia. Apenas 15% do total de turistas foi acompanhado pela família, mas 66% admitiu pretender voltar ao destino acompanhado de seus parentes. Além disso, 73% dos viajantes foram para o país exclusivamente para a competição.

De acordo com Azevedo, um estudo do Sebrae apresentou que 87% dos participantes da Copa do Mundo da África do Sul não tiveram incentivo financeiro para a viagem, a mesma porcentagem esteve à ocasião no destino pela primeira vez e 83% fizeram turismo de lazer fora do ambiente dos jogos.

Tecnologia

Na segunda palestra, a mesa foi composta por Marcos Pontes, da Argo It, Aoron Beyer, da Benner Sistemas, Claudio dos Santos, da Gol, Rafael Figueiredo, da World Travel Solution, Rubem Schwartzmann, da Costa Brava, e Julio Verna, da Qualitas, com moderação de Edmar Bull, presidente da Abav/SP.

Com o tema “Desvendando os mitos da tecnologia em gestão de viagens”, mencionou dez itens que, segundo os especialistas, são os mais recorrentes no mercado.

Dente os temas abordados, estiveram se a tecnologia é apenas para a geração Y, se é acessível a todos os tamanhos de agências de viagens e se é possível diminuir a demanda atual dos agentes.

A opinião dos palestrantes foi unânime quanto ao benefício que a tecnologia pode trazer tanto às pequenas quanto às grandes agências. Segundo eles, é necessário aprender a conviver com ela e se adaptar às mudanças que traz. Ela chegou para substituir os trabalhos manuais e repetitivos, permitindo aos agentes maior tempo para dedicar ao contato personalizado com cada cliente e criar novos produtos, de forma a agregar valor ao seu serviço. Dessa forma, o agente de viagem não é mais visto como mero emissor de bilhetes e sim como um consultor de viagens.

Confira os dez mitos:

1 – Tecnologia é coisa para a geração Y

2 – Muita tecnologia pode acabar com o agente de viagem

3 – Excesso de tecnologia gera impessoalidade

4 – Minha empresa é muito pequena para aderir à tecnologia

5 – Meu cliente não vai querer fazer reserva online

6 – Fazer reserva é obrigação da agência, não do cliente

7 – Os fornecedores devem prover a tecnologia para minha agência

8 – Nosso processo de viagem é diferenciado do que há no mercado

9 – Quero um sistema que me satisfaça 100% e resolva todos os meus processos

10 – Preciso integrar tudo!

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