Pesquisadores do IMD criam banco de dados genéticos para auxiliar criação de medicamentos contra o Sar-Cov-2



Publicado na Scientific Reports, catálogo reúne todas as sequências de siRNAs capazes de inativar o SARS-CoV-2

Pesquisadores da área de Bioinformática do Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN) publicaram hoje (23), na Scientific Reports – periódico científico que faz parte do grupo Nature Research – um catálogo com todas as sequências de siRNAs capazes de inativar o SARS-CoV-2 (novo coronavírus) e, assim, contribuir para o desenvolvimento de fármacos para o tratamento da doença.

Com acesso aberto e gratuito, o estudo é intitulado A Small Interfering RNA (siRNA) Database for SARS-CoV-2. Desenvolvido em 2020, o trabalho foi submetido à revista em outubro e traz um banco de dados completo dos siRNAs (ou RNAs de interferência, compostos genéticos que inativam genes-alvo) capazes de neutralizar o novo coronavírus.

“Trabalhos recentes, dos últimos cinco anos, têm testado estas moléculas em experimentos e têm alcançado resultados promissores. Esse tipo de tecnologia também tem sido utilizado ao redor do mundo para o desenvolvimento, em nível de teste, de remédios para HIV e hepatite, por exemplo”, comenta o professor Jorge Estefano Santana de Souza, coordenador da pesquisa e professor do Centro Multiusuário de Bioinformática (BioME), um dos núcleos do IMD, unidade acadêmica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Segundo Inácio Medeiros, estudante do doutorado em Bioinformática do BioME e primeiro autor do artigo, o catálogo auxiliará, por meio de uma série de informações, pesquisadores do mundo inteiro a desenvolverem estudos e soluções de enfrentamento ao SARS-CoV-2.

Segundo Inácio Medeiros, estudante do doutorado em Bioinformática do BioME e primeiro autor do artigo, o catálogo auxiliará, por meio de uma série de informações, pesquisadores do mundo inteiro a desenvolverem estudos e soluções de enfrentamento ao SARS-CoV-2.

“Você passa a ter acesso não apenas às sequências de RNA, mas a diversas outras informações, como indicadores de homologia, eficiência, toxidade, entre outras. Esses dados facilitam muito o trabalho de pesquisa, pois possibilitam uma filtragem mais rápida de quais moléculas testar em bancadas de laboratório, facilitando o trabalho de indústrias farmacêuticas, por exemplo” aponta Medeiros.

Jorge Estefano, também comentando sobre o avanço que o trabalho proporciona para as pesquisas de medicamentos contra o SARS-Cov-2, afirma que “com o catálogo em mãos, os laboratórios podem escolher, segundo suas expertises, as moléculas para o desenvolvimento de seus remédios, e isso já é 30% do processo de criação de uma droga desse tipo. O que restaria seriam os testes clínicos e o acompanhamento do nível de toxicidade da molécula escolhida, para, assim, seguir com a criação efetiva do medicamento”, explica.

Medicamentos e vacina

Desde o ano passado, pesquisas científicas contribuem para o desenvolvimento de vacinas que promovem a prevenção de Covid-19, mas, segundo Estefano, é natural e necessária também a criação de medicamentos para a doença.

“Com o surgimento das vacinas já temos o método preventivo, mas o que temos de pensar é que esse novo vírus pode virar sazonal e, portanto, infectar anualmente a população. Precisamos, portanto, de formas de medicar e tratar as pessoas já infectadas, e os remédios feitos com base nos RNAs de interferência – cuja produção é muito mais rápida do que a dos medicamentos convencionais – é uma boa solução para isso”, enfatiza o docente.

Ele ainda destaca a relevância da disponibilidade aberta do catálogo com as sequências de siRNA capazes de inativar o SARS-CoV-2. “Em vez de fecharmos nossa tecnologia e extrair patentes ou moléculas próprias, o que estamos fazendo é disponibilizando informação para que todos aqueles que têm condições deem esse retorno à sociedade, especialmente nesse contexto pandêmico em que vivemos”, enfatiza.

O trabalho de pesquisa também foi fruto de parceria com três pesquisadores da área de genética da Universidade Federal do Pará (UFPA), além de também ter contado com a colaboração da professora do BioME Beatriz Stransky.


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