ICMBio e Ibama apreendem mais de 300 tartarugas em Roraima

Uma operação de fiscalização na região do Baixo rio Branco, em Roraima, acaba de apreender 327 quelônios (animais com casco), em sua grande maioria fêmeas adultas de tartarugas-da-Amazônia (Podocnemis expansa). Seis homens, integrantes de uma quadrilha especializada em tráfico de animais que atuava em Caracaraí, foram detidos. Essa foi a maior apreensão de tartarugas adultas nos últimos anos na Amazônia.

Realizada em parceria entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ibama e Policia Militar, a operação, encerrada ontem (quarta, 21), contou com a participação de seis fiscais, seis policiais e suporte logístico do Parque Nacional do Viruá, administrado pelo ICMBio. Foram lavrados 23 autos de infração.
Segundo o coordenador da operação, Azemar Marques, do Ibama, foram destruídos ao todo quatro “currais” (onde os animais são provisoriamente estocados vivos), seis acampamentos (conhecidos como “paragens”) e várias embarcações utilizadas pelos “tartarugueiros” (como são chamados os traficantes) durante a fase de reprodução das tartarugas, que em Roraima começa em dezembro e se estende até fevereiro.

NOITE – A maioria dos animais foi apreendida durante à noite, período utilizado pelos traficantes para se deslocar nos rios da região. Para o gerente logístico da operação, Samuel Lima Rodrigues, “as abordagens noturnas, apesar de muito arriscadas, são a única forma de apreender os animais”, uma vez que os infratores se aproveitam do escuro da noite para se deslocar com os barcos apagados, despistando a fiscalização. Além disso, segundo ele, “é preciso deixar o motor desligado e as luzes apagadas para garantir a chance de flagrante”.
Ao todo foram realizadas sete apreensões durante a operação, as duas maiores totalizando 167 e 108 tartarugas em dois grupos de barcos. Das mais de 300 tartarugas, apenas 42 foram localizadas em terra, o que revela a importância das barreiras noturnas para a realização dos flagrantes nas embarcações. Os animais foram devolvidos à natureza pelos fiscais do ICMBio e Ibama.

Segundo o Major Vasco Ribeiro, comandante da Companhia Independente de Policiamento Ambiental (CIPA) da Policia Militar de Roraima, a grande maioria das tartarugas foram encontradas amarradas e ensacadas, prontas para serem transportadas e vendidas provavelmente em Boa Vista (capital do estado), por valores entre R$ 300 (as maiores) e R$ 100 (as menores). “Fico feliz de saber que nosso trabalho fez a diferença para mais de 300 tartarugas”, disse.

PRESOS – Os seis infratores foram enquadrados em flagrante pela Policia Federal nos parágrafos 1º, 4º e 5º da Lei 9.605 de 1998 (referente a crimes contra a fauna, combinados com o artigo 288 do Código Penal), com o agravante de formação de quadrilha e maus tratos aos animais, tornando o crime inafiançável. Eles foram encaminhados para a Penitenciária Agrícola Monte Cristo, onde estão presos.

Para o chefe do Parque Nacional do Viruá, Antonio Lisboa, a ação só foi possível graças à parceria entre o ICMBio, Ibama e a CIPA. “Nossa missão é difícil e envolve muitos riscos, mas, com união de esforços e estratégia, é possível otimizar recursos e ter sucesso”.

Localizada no centro-sul de Roraima, a região do baixo rio Branco é um dos principais tabuleiros de quelônios da Amazônia. Constitui uma das principais áreas de reprodução desses animais no País. A enorme extensão da área e sua baixíssima ocupação (que inclui trechos de mais de 200 quilômetros de rios sem qualquer habitação humana) a tornam extremamente vulnerável à ação de quadrilhas de “tartarugueiros”, sobretudo, do Amazonas.

A pressão ocorre entre os meses de dezembro a fevereiro quando milhares de tartarugas chegam às extensas praias de areia da região para desovarem, período em que se tornam muito suscetíveis à captura ilegal. A última grande apreensão na região havia sido feita em 2005 em uma operação custeada pelo parque Nacional do Viruá, quando foram apreendidas 680 tartarugas. Em 2006, um atentado a outra missão realizada pelo parque, resultou na morte de um colaborador comunitário e dois técnicos do Ibama baleados.

Crédito da foto: Acervo Parque Nacional do Viruá

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